sexta-feira, 28 de setembro de 2012


"Porque somos contra a EBSERH ": carta aos conselheiros universitários da UFBA 

 


 Salvador, 28 de setembro de 2012


Das entidades abaixo assinadas
Ao Conselho Universitário da UFBA


Os Hospitais Universitários (HU) brasileiros vivenciam uma crise estrutural, a partir dos anos 1970. Dentre os aspectos estruturais da crise dos HUs, ressalte-se o conflito de interesses entre as categorias e corporações profissionais, bem como as divergências quanto aos modelos pedagógicos e operacionais da prática assistencial, de ensino e pesquisa, bem como a fragmentação do poder institucional e concepção ideológica divergente quanto ao papel social dos HUs.
Desde a década de 1980 que a análise da situação do nosso Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) apontava as razões que conduziram para o estado de crise permanente do nosso e dos demais hospitais universitários brasileiros. Dentre estas, destacam-se: O agravamento da crise financeira; a incorporação interna de lógicas de mercado; modelo de gestão e administração anacrônicas; resistências de núcleos de poder à modernização da gestão e sub-remuneração e financiamento através de convênios; indefinição do perfil assistencial; desarticulação com o Sistema Único de Saúde (SUS); insuficiente autonomia e gestão não profissional; indefinição na relação com o setor privado; incorporação de tecnologias e serviços sem critérios; baixa qualidade na prestação de serviços e nas atividades acadêmicas (Plano Diretor do HUPES, 1986), além de autonomização de serviços em “institutos”, “fundações” etc. e escassez de pessoas do quadro permanente para funções assistenciais, de ensino e pesquisa.
Ao longo de décadas, nenhuma formulação de política pelo governo federal e nenhum projeto foi apresentado e ou implantado visando a superação dessa crise estrutural.
A partir das medidas de reforma do Aparelho de Estado brasileiro, iniciadas em 1995,e acentuadas na última década, as medidas assumidas para enfrentar o estado de crise permanente na produção de serviços de saúde se pautaram no repasse da responsabilidade de gestão, contratação e produção de serviços de saúde ao setor privado. Os modelos são muitos e todos testados, apontando que seus resultados são vantajosos para a lógica privada, mas não para a consolidação do SUS. São elas: Organizações sociais, formas diversas de tercerização (da contratação de mão de obra; da gestão; da produção de serviços meios, etc.); OSCIP etc. Nessa mesma direção é que se cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares pelo governo federal, em dezembro de 2011. A EBSERH é o tipo de solução dentro da lógica neoliberal, através de um arcabouço institucional e jurídico para satisfazer ao mercado e as “crises” econômicas do modo de produção capitalista. 
A solução para a crise dos HUs inclui:
·    aplicação dos princípios constitucionais, com responsabilidade pública na prestação das ações e serviços de saúde;
·         financiamento integral pelo ministério da Educação e pelo SUS, dado a sua finalidade específica;
·         modelo de gestão político-técnico profissional, com autonomia, e com articulação entre os serviços;
·         processo de trabalho articulado e contraposto à autonomia absoluta de alguns profissionais versus o controle rígido de outras categorias;
·         práticas assistenciais geridas de modo integrado para atender ao perfil assistencial e aos resultados propostos;
·         definição clara do perfil assistencial, articulado com sua finalidade e atendendo aos interesses do SUS local e regional;
·         incorporação tecnológica a partir do perfil assistencial definido;
·         quadro técnico-profissional bem estruturado, estável e qualificado;
·         modelos de prática assistencial e de ensino integradas.

Assim, as entidades que assinam esta carta vêm apresentar seus argumentos contrários à decisão sobre o repasse da gestão dos Hospitais Universitários do Brasil e, em particular do complexo Hospital Universitário Prof. Edgar Santos à EBSERH.

1) A EBSERH é privatização de serviços públicos de saúde e do conhecimento produzido nos HUs
Ainda que genericamente o termo privatização designe as iniciativas que ampliam o papel do mercado em áreas anteriormente consideradas privativas do Estado, isto inclui não apenas a venda de bens e serviços de propriedade ou de prerrogativa exclusiva do Estado, mas, também, a liberalização de serviços até então de sua responsabilidade, como a educação, saúde e meio ambiente. Isso se faz pela desregulamentação e estabelecimento de contratos de gestão de serviços públicos por provedores privados (Leher, 2003). Assim sendo, e tendo como mediação da sua relação com a universidade o contrato de gestão, típico instrumento que atende aos interesses produtivistas do setor privado, este modelo de gestão ameaça os direitos sociais e o reconhecimento da saúde como direito de todos os brasileiros e DEVER do Estado, bem como contraria a Legislação do Sistema Único de Saúde (SUS).
2) A EBSERH desrespeita e reduz a autonomia universitária
Os hospitais universitários são estabelecimentos de ensino vinculados às universidades e responsáveis por formar profissionais de saúde, desenvolver conhecimentos e tecnologias e prestar serviços de saúde à população, regidos pelos princípios da reciprocidade e solidariedade. Nesse sentido, o repasse da gestão dos HUs para a EBSERH, com caráter jurídico do direito privado, constitui-se um desrespeito à autonomia universitária, princípio garantido no artigo 207 da Constituição. Além disso, a EBSERH é constituída de três conselhos, onde apenas o Conselho Administrativo é deliberativo e no qual, das nove cadeiras que o compõe, sete são indicadas pelo governo federal. Outro ponto importante é o a opção para a gestão local pela EBSERH, através de uma filial. Dentro da gestão empresarial, a filial é totalmente subordinada às diretrizes e definições da sua matriz, de modo que a filial estabelecida no hospital universitário não terá autonomia para atuar no HU de acordo com as demandas e peculiaridades locais. Essa perda da autonomia, acentuada ao longo de décadas pela opção política de subfinanciamento dos HUs pelo governo, trará consequências negativas para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da prestação de serviços. Com a gestão do complexo HUPES pela EBSERH desvincula-se, na prática, estes da UFBA.
Dado que a autonomia universitária está cada vez mais reduzida, basta analisar atentamente o modo e os critérios de avaliação dos cursos de graduação e pós-graduação e o que aconteceu com o financiamento da pesquisa que foi retirado das universidades e atribuído a outras instâncias (com o dinheiro que deveria ser destinado para as universidades), o que faltava solapar da autonomia universitária? O controle da produção de serviços de alta complexidade e da produção de tecnologias médicas e de saúde. A EBSERH faz isso.
3) A EBSERH ameaça o caráter público dos serviços de educação e saúde
Pautar o lucro dentro do serviço de saúde é deveras danoso à população. Não existe definição concreta de como o lucro que pode ser obtido pela EBSERH será aplicado. A forma de financiamento da empresa é flexível. No artigo 8o da Lei que cria a EBSERH têm-se garantidas diversas formas de obter capital, admitindo inclusive financiamento por outras fontes e aplicações financeiras, as quais são formas de obtenção de lucro.
Não existe perspectiva de que o financiamento da União para a saúde aumente, o que nos leva a cogitar que a empresa se voltará para as outras formas de obtenção de recursos financeiros, que estão totalmente inseridas na lógica do mercado e que exigirão uma contrapartida que trará danos à função social do HUPES. Há, por exemplo, a possibilidade de realizar contratos e convênios com entidades nacionais e internacionais, incluindo as privadas, que podem ser parcerias preferenciais para uma empresa que deve manter seu equilíbrio econômico-financeiro para subsistir no mercado.
Quanto ao campo de pesquisa em que se constituem os HUs, este preocupa muito por causa do interesse do complexo industrial da saúde, em particular da indústria farmacêutica em se consolidar de vez dentro dos Hospitais, onde estão uma vasta quantidade e diversidade de “material humano”. O foco das pesquisas pode ser direcionado para objetivos que não de cunho social, pois essas, quando  voltadas para atender às demandas da população, apesar de sua importância, não tem a perspectiva mercadológica.
A EBSERH cria espaços de valorização do capital, com possibilidade de obtenção de outros recursos (que não o financiamento público). A obtenção de lucro líquido pela empresa permite que esta venda serviços, produtos, tecnologias etc. e a impulsiona para a captação de outros recursos para as atividades de ensino, assistência, pesquisa e extensão. Além disso, o ressarcimento pela saúde suplementar do atendimento prestado aos usuários do SUS com plano de saúde pode ser utilizado livremente pela empresa.
4)  A EBSERH é terceirização dos serviços de saúde e educação
Quando se argumenta que a implantação da EBSERH é uma terceirização dos serviços de saúde e educação, considera-se o princípio de que as atividades caracterizadas como “fim” do Estado, tais como a saúde e o ensino não podem ter sua gestão, equipamentos e pessoal transferidos para uma instituição privada. A constituição só permite que o Estado contrate tais instituições para desenvolverem atividades “meio”, como limpeza, vigilância ou determinados serviços técnicos da área de saúde (exames, consultas) com caráter complementar.
5) A EBSERH contribui para o desmonte da organização dos trabalhadores empregados pelo Estado, com a flexibilização dos vínculos de trabalho e extinção progressiva do concurso público
A principal justificativa do governo para a criação da empresa é a regularização dos mais de 26.500 funcionários terceirizados dentro dos hospitais. Dentro da lei está garantida a existência, por dois anos, do contrato precário feito pelas Fundações de Apoio. Outrossim, o problema dos atuais contratados não será resolvido pela EBSERH e só o será pelas próprias universidades, sem que nenhuma proposição tenha sido sequer formulada. No entanto, a contratação pela EBSERH dos futuros concursados, exclusivamente pelo regime da CLT, resultará na extinção da carreira do servidor técnico-administrativo dos HUs.
Outro problema é o vinculo de trabalho via a CLT, que na prática impõe a rotatividade dos profissionais de saúde, típica do setor privado, comprometendo a continuidade e qualidade do atendimento, bem como as demais atribuições de ensino, pesquisa e extensão dos HUs.
6) A EBSERH significa desrespeito ao controle social e à democracia universitária
Com a gestão via EBSERH, o complexo HUPES estará subordinado ao regimento da empresa, resultando na perda de espaços e mecanismos para uma gestão democrática, como o conselho gestor, e a consulta à comunidade na escolha do gestor do hospital. Não existirá controle social dentro desta empresa, o que desrespeita as diretrizes e princípios do Sistema Único de Saúde.
O desrespeito ao controle social é manifesto ao se desconsiderar a deliberação da 14a Conferência Nacional de Saúde, maior instância do controle social no SUS, realizada entre 30 de novembro e 04 de dezembro de 2011: “Rejeitar a criação da Empresa Brasileira de serviços Hospitalares (EBSERH), impedindo a terceirização dos hospitais universitários e de ensino federais” (Relatório da 14a CNS, Ministério da Saúde, 2012).
Por fim, os signatários desejam também manifestar seu descontentamento com o modo antidemocrático como as decisões sobre a adesão à EBSERH estão sendo tomadas dentro e fora da UFBA.
Por duas vezes o tema da EBSERH foi pautado no CONSUNI, mas não foi discutido. Após a greve, foram programadas apenas duas reuniões deste Conselho sobre o assunto, uma para discussão e outra para decisão.
Lideranças dos três segmentos da UFBA, estudantes, funcionários técnico-administrativos e professores, tem reivindicado, sem sucesso, à Reitora e sua equipe a realização de uma agenda de debates sobre o tema.
Seria possível supor que a discussão até o momento tenha dado oportunidade de participação a todos os interessados, considerando-se que representantes das diversas Unidades da UFBA têm assento no CONSUNI, e que esses representantes devem ter discutido o tema em suas respectivas Congregações. Esse ciclo democrático virtuoso deve ter se iniciado em cada Unidade com a discussão dos representantes nas Congregações com seus representados.
No entanto, quem está acompanhando o processo de tomada de decisão sobre esse tema tão fundamental para a UFBA pode observar que não houve discussão ou esta foi insuficiente em várias Unidades e Departamentos. Além disso, as decisões em várias Congregações têm sido tomadas com base em argumentações avessas a um ambiente de liberdade, ao se colocar que se deve aprovar a adesão porque não há alternativa. Como caracterizar um processo de decisão como livre e democrático, se, de início, a maioria dos debatedores defendem que só há uma decisão possível? Um agravante é que esta afirmativa categórica tem sido feita por membros dessas instâncias decisórias, muitos dos quais não tiveram acesso às informações sobre o tema. Outro agravante é que membros de Congregações de unidades de ensino fora da área da saúde mostram-se receosos de votar contrariamente aos votos daquelas da área da saúde, pressupondo, equivocadamente, que estas Unidades discutiram o tema mais detalhadamente e com maior propriedade.
Em várias unidades, as votações nas Congregações registram um número elevado de abstenções, que têm sido justificadas pela ausência completa de discussão nos Departamentos.
As evidências apontadas acima colocam em dúvida o caráter democrático das decisões até agora tomadas pelas instâncias decisórias da UFBA acerca da adesão à EBSERH. Essa situação é preocupante e compromete a legitimidade das decisões tomadas.


          
Assinam esta carta:
 
DCE – Diretório Central dos Estudantes da UFBA
Comissão de Mobilização dos Docentes da UFBA
ASSUFBA Sindicato
APG- UFBA - Associação de Pós-Graduandos da UFBA

FAS – Fórum Acadêmico de Saúde da UFBA

Centro Acadêmico da Escola de Música
Centro Acadêmico de Biologia
Centro Acadêmico de Biotecnologia
Centro Acadêmico de Ciências Sociais
Centro Acadêmico de História Luiza Mahin 
Centro Acadêmico Ruy Barbosa
Centro Acadêmico de Serviço Social
Diretório Acadêmico de Ciências Biológicas (Vitória da Conquista)
Diretório Acadêmico de Educação Física
Diretório Acadêmico de Enfermagem
Diretório Acadêmico de Engenharia Sanitária e Ambiental
Diretório Acadêmico de Fisioterapia
Diretório Acadêmico de Fonoaudiologia
Diretório Acadêmico de Medicina
Diretório Acadêmico de Nutrição
Diretório Acadêmico de Psicologia

CONEP - Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia
ENEFAR - Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia
ExNEEF - Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física
DENEM - Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina
ENEN - Executiva Nacional dos Estudantes de Nutrição

ABEn-BA - Associação Brasileira de Enfermagem Seção Bahia
SINPSI-Ba - Sindicato das (os) Psicólogas no Estado da Bahia




 Servidores e estudantes protestam contra o "abacaxi" - SINDIMED-BA


Abacaxis e cartazes foram usados no protesto contra a Ebserh na Reitoria

 

Uma audiência pública, realizada no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) nesta sexta-feira, 28, debateu a criação e utilização da Ebserh - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A audiência foi marcada por protestos de servidores públicos e da comunidade acadêmica, que levaram cartazes fixados em abacaxis para a frente da mesa, composta pela Prof. Dra. Lorene Pinto, mediadora do debate, Prof. Dr. Roberto Meyer, vice-diretor do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes) , Cássia Virgínia, representante da Assufba, Jorge Solla, secretário de Saúde do Estado e Dr. Francisco Magalhães, presidente do Sindimed.

Após o Prof. Roberto Meyer fazer uma apresentação sobre a situação dos hospitais universitários (Hupes E Maternidade Climério de Oliveira), a discussão prosseguiu com Cássia Virgínia destacando que, enquanto o governo se mobiliza para ajudar financeiramente bancos e empresas privadas, se observa uma verdadeira omissão na manutenção dos hospitais universitários.

O secretário Jorge Solla, por sua vez, negou a ideia de terceirização dos hospitais, afirmando que a proposta é de criar uma empresa estatal. A falta de discussão sobre a questão foi destacada pelo presidente do Sindimed, Dr. Francisco, que sugeriu a criação de um fórum de discussão capaz de promover um verdadeiro embate de ideias, para que seja criada uma alternativa à Ebserh.

A ausência do diretor do HUPES, Prof. Hugo Ribeiro Jr. foi observada por várias pessoas que falaram na audiência.  Se alinhando a servidores das unidades hospitalares e professores da universidade, muitos estudantes se manifestaram radicalmente contra à Ebserh, através de cartazes e discursos.


 Fonte: sindimed-ba.org.br

 Postada em 28/09/2012 às 16:12:06

Audiência Pública fortalece luta contra a Ebserh





Na última sexta (28), a reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi cenário de uma Audiência Pública sobre a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Com a presença do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, servidores técnico-administrativos, docentes e discentes da instituição, além de representantes de movimentos sociais

que fizeram uma manifestação contra a empresa criada pelo Governo Federal para gerir os hospitais universitários.
Embate ideológico sobre concepção de Estado e seu papel marcaram a audiência iniciada pelo professor Roberto Meyer, que apresentou a situação dos hospitais universitários geridos pela UFBA – Hospital das Clínicas (HUPES) e Maternidade Climério de Oliveira (MCO). Alvo de moções de repúdio de diferentes entidades em todo o país, o modelo proposto pela Ebserh recebe o apoio da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que, segundo a direção da ASSUFBA, demonstrou falta de argumento para defender a empresa.
Questionado sobre a intransigência do governo, o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, afirmou que o modelo atual é “completamente anacrônico”. “Eu vejo com bons olhos a criação da empresa. Todos os secretários estaduais de saúde, através do Conselho Nacional, estão mobilizados para apoiar a Ebserh. Temos sérias divergências quanto ao modelo atual, pois consideramos que precisamos modernizar os hospitais de ensino para que, efetivamente, eles prestem relevantes serviços à população e, obviamente, a formação dos futuros profissionais da saúde.

O coordenador licenciado da ASSUFBA, Renato Jorge, ressaltou que o sindicato tem apontado o problema dos HUs desde o início. “Importante esse momento, mas temos que registrar aqui a omissão do Conselho Universitário, porque há mais de dois anos, a representação dos servidores técnicos da UFBA força o debate sobre os hospitais universitários e o combate à Ebserh. O problema era de pessoal. Agora, temos a entrega nos nossos hospitais a uma empresa de direito privado, quando a responsabilidade pela situação dos HUs é do Governo que não realiza concurso público e obriga o HU a gastar dinheiro da contratualização com a Terceirização”.

Para a Coordenadora de Comunicação da ASSUFBA e membro do CONSUNI, Cássia Virgínia B. Maciel, a audiência mostrou o caráter democrático da universidade. “Debate extremamente importante, um espaço de efervescência política e apresentação de opiniões. A audiência reforçou falhas que vimos indicando há bastante tempo, principalmente, a responsabilização do estado pelos nossos hospitais. Entendemos que a solução para o problema do HUPES e da MCO é a realização imediata de concurso público e não o convênio com uma empresa de caráter privado” defendeu a dirigente.
Mestre em Direito pela Universidade de Brasília e professora da Faculdade de Direito da UFBA, a advogada Sara Côrtes falou sobre a inconstitucionalidade da Lei 12.550/2011 (EBSERH) na medida em que, segundo a docente, ofende os princípios constitucionais de autonomia universitária e universalidade de atendimento do sistema SUS.
“É contraditório que, no âmbito de um sistema de saúde absolutamente necessitado de maiores investimentos, estes já poucos recursos sejam destinados à manutenção de órgãos privados de saúde, ferindo o princípio de equidade do SUS, que é a determinação da adequada e justa distribuição dos serviços e benefícios para todos os membros da comunidade, população ou sociedade. Vimos que a maioria dos discursos mostraram divergências sobre a Ebserh ou total desconhecimento da questão. É urgente a continuação do debate”, afirmou Paulo César Vaz, coordenador jurídico da ASSUFBA.
Dirigentes de entidades sindicais reforçaram o coro contra a Ebserh. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed), Francisco Magalhães, a solução para os hospitais universitários deveria ter sido discutida com a sociedade e com a comunidade acadêmica. “A empresa tem uma tradução privatista e é de onde vem a nossa desconfiança. Ela nasce com um viés que preocupa a todos nós. Entendemos que os hospitais universitários não podem permanecer como estão. Então, propomos suspender essa ideia de Ebserh e abrir o debate, para conseguir uma alternativa.
Para a presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia (Seeb), Lúcia Duque, o modelo proposto é mais uma iniciativa de terceirização da saúde. “Nós nos colocamos contra a empresa, por acreditar na carreira pública via concurso e a valorização do profissional. A empresa é uma forma de terceirizar o serviço e passar a sua obrigação para a gestão privada”.

Terceirizados fundacionais – A Ebserh ainda não tem contrato com a UFBA, mas os trabalhadores da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (FAPEX), lotados no Complexo HUPES e na MCO se mostram apreensivos com a possível chegada da empresa. “Recebemos com muita preocupação por não sabermos o nosso futuro. Estamos na universidade há mais de vinte anos e não temos qualquer garantia de permanência, até porque muitos não estão preparados para enfrentar um concurso para permanecer”, ressaltou Luís Carlos Andrade, servidor da MCO.
“A contratação dos servidores terceirizados não é automática e muitos cargos em atividade hoje pela Fundação não estão previstos no Plano de cargos da EBSERH. Quem paga o passivo trabalhista de quase 10 mi?”, questionou Cássia Maciel.

ASCOM ASSUFBA Sindicato

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

EBSERH -UMA VITÓRIA IMPORTANTE





Ontem, terça-feira, dia 18/09, tivemos a reunião do  Conselho Universitário, na qual a Comissão formada para dar um parecer aos conselheiros sobre o que tinham se apropriado a cerca da EBSERH apresentou seu relatório.  Nessa reunião os estudantes, professores e servidores comprometidos com a Luta contra a adesão do nosso Hospital Universitário a Empresa desempenharam um papel  importantíssimo: pautamos a necessidade da reitoria se  comprometer, de forma oficial, com um calendário de debates  na UFBA sobre a EBSERH. Após uma reunião intensa,  onde a voz dos estudantes ecoou por todo o conselho  como um grito de luta, onde nós colocamos nossos  argumentos, de forma madura e fundamentada sobre  a Empresa e a forma como está sendo empurrada goela  abaixo como única opção para os HUS, emfim conseguimos  que o debate fosse aprovado e encaminhado. Uma grande vitória para o movimento! Continuemos unid@s nessa Luta, pois junt@s somos mais fortes!


DAMED-UFBA

 Consuni sobre Ebserh revela divergências

 por Assufba Sindicato, Quarta, 19 de setembro de 2012 às 09:00 ·Conselheiros da UFBA discutem empresa que tem sido alvo de moções de repúdio







Direção da ASSUFBA acompanha o debate na reitoria da UFBA / Foto: Américo Barros

Na tarde de ontem (18), o Conselho Universitário da UFBA realizou Sessão Extraordinária de caráter apreciativo na reitoria da instituição, tendo como pauta a apresentação do Relatório da Comissão sobre a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Os conselheiros fizeram um amplo debate sobre a adesão à empresa e as consequências para os hospitais universitários geridos pela UFBA - Maternidade Climério de Oliveira (MCO) e o Hospital Universitário Professor Edgar Santos (HUPES), conhecido como Hospital das Clínicas. O modelo de gestão já conta com várias moções de repúdio de diferentes entidades em todo o país.

De acordo com a professora da UFBA, Lorene Louise Silva Pinto, responsável por apresentar o relatório, alguns questionamentos feitos pela ASSUFBA Sindicato foram incorporados ao trabalho. A apresentação dos gestores das unidades hospitalares apontou a necessidade de resolução do financiamento e da terceirização. Segundo a diretora da Maternidade Climério de Oliveira, Mônica Neri, existe uma resistência e inquietação muito grandes na unidade em relação ao que vai acontecer a partir da adesão ou não à Ebserh.

A coordenadora de Comunicação da ASSUFBA Sindicato e representante dos técnico-administrativos no Consuni, Cássia Maciel, fez questionamentos sobre a “musculatura” da Ebserh, para dar conta dos contratos. “A Ebserh privatiza a gestão. Precisamos de um debate mais amplo, mas a maioria dos conselheiros manteve o silêncio quando questionados sobre a construção de uma proposta alternativa”, ressaltou.

A situação dos trabalhadores terceirizados fundacionais também foi abordada pela conselheira. “Quem pagará o passivo de quase R$10 mi? A contratação não é automática e muitos cargos em atividade hoje pela Fundação não estão previstos no Plano de Cargos da Ebserh”, explicou. Na reunião, foi conquistada a realização de uma Audiência Pública, antes que o tema seja levado à votação, mas ainda não tem data definida.

Responsabilidade - Durante a reunião houve também o questionamento de qual o fundamento de que os HUs fechariam caso não houvesse adesão. “Essa responsabilidade tem que ser do Ministério do Planejamento, que não autoriza concursos. Além disso, não temos resposta sobre quem arcará com o passivo dos trabalhadores contratados via fundação”, argumenta Cássia Maciel.

“As universidades optaram pela proposta mais fácil. A Ebserh deixou claro e de forma violenta que a sua ferramenta é mercadológica. Isso não foi escondido de ninguém. Como conselheiro, não quero assumir essa responsabilidade, aprovar esse absurdo e não defender a universidade”, afirmou o coordenador de Formação Sindical da ASSUFBA, Antônio Bonfim Moreira, que ressaltou a preocupação dos técnico-administrativos com a situação dos HUs nos últimos 20 anos.

ASCOM ASSUFBA Sindicato
19/09/12


FOTOS:












































domingo, 16 de setembro de 2012



 Nota do Diretório Acadêmico de Medicina


Desde o início do ano, recebemos a notícia de que o Conselho Universitário da UFBA (CONSUNI) irá decidir acerca da gestão direta do HUPES pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). A EBSERH é uma empresa pública de direito privado, criada através da Lei 12.550, que tem como objetivo gerir a todos os Hospitais Universitários (HUs) do país, atualmente quarenta e quatro. Diante dessa 
perspectiva, os estudantes de saúde da UFBA, articulados por meio do Fórum Acadêmico de Saúde (FAS) começaram a se debruçar sobre o tema, discutindo os principais aspectos da Lei em suas reuniões. 
Paralelamente a esse processo, o CONSUNI trás a pauta para os conselheiros na reunião do dia 28 de fevereiro e tira uma comissão para estudar o tema e levar um parecer para o conselho. O FAS começou a se articular para participar das reuniões da comissão e, juntamente, as suas próprias discussões, foi forjando um posicionamento contrário à adesão do nosso HU à empresa, embora reconhecesse a importância de o debate ser fomentado na UFBA para que os estudantes, professores e servidores dos diversos cursos pudessem tomar conhecimento da situação. A representação da categoria dos servidores, a ASSUFBA realizou assembleias e posicionou-se contrária a EBSERH, pelas precárias condições de trabalho em que passarão a ser submetidos seus trabalhadores na passagem para a instabilidade do CLT.
Nesse ínterim, o FAS realizou um plebiscito com a finalidade de avaliar o conhecimento da comunidade acadêmica sobre a EBSERH e o resultado mostrou claramente o quanto a questão ainda precisava ser debatida e fomentada na UFBA, visto ser um assunto que acarretará em muitas repercussões no futuro do nosso HU, na formação acadêmica dos estudantes de saúde e na atenção a saúde da comunidade usuária do hospital.
Com o processo de greve geral da UFBA a pauta começou a ser difundida entre os estudantes por meio de sua discussão nas reuniões do comando de greve discente, bem como entre os professores e servidores. Os três comandos de greve tiraram um posicionamento contrário a EBSERH. Diversos debates e aulas públicas foram realizados não apenas nas unidades de saúde, mas também entre os cursos de humanas e foi fomentado que as congregações discutissem essa pauta antes da votação chegar ao Conselho Universitário. Em Medicina, como parte das mobilizações da greve estudantil, foi realizado um ato de Abraço ao HUPES, no qual as condições precárias do HU foram questionadas e que resultou numa audiência com a Reitoria, onde a EBSERH foi colocada pela direção como a única opção possível para a resolução dos problemas do hospital, sem levar em consideração o posicionamento da 14ª Conferência de Saúde, do Conselho Nacional de Saúde, ambas as instâncias de participação popular do SUS e de diversas outras entidades como o Sindicato dos Médicos, Conselho Regional de Medicina da Bahia e Associação Baiana de Medicina.
Atualmente, estamos pautando que a Reitoria se comprometa a realizar o ciclo de debates na UFBA antes da votação da EBSERH no Conselho Universitário. Na última reunião, essa proposta foi trazida pelos estudantes, mas a diretoria do Conselho não permitiu que os conselheiros pudessem ao menos avaliar a sugestão estudantil. Infelizmente, no espaço de deliberação máxima da UFBA, a voz dos estudantes ainda tem sido sufocada, sobretudo quando vai de encontro ao interesse da Reitoria. 
Em resposta à nossa movimentação e de forma antidemocrática, a Reitora marcou que na próxima terça-feira dia 18 de setembro, uma reunião extraordinária do CONSUNI para que a comissão responsável por dar o parecer aos conselheiros lesse o relatório de suas reuniões e já no dia 03 de outubro, seja feita a votação pela adesão ou não da EBSERH pela UFBA.
Nós estudantes precisamos nos unir para impedir que uma pauta tão importante para o futuro do nosso HU, seja decidida de forma antidemocrática, sem o devido debate. Nesse sentido, convocamos a todos os estudantes de Medicina a estarem presentes na terça para pressionarmos o conselho a se comprometer com a discussão. Nossa força é maior quando estamos juntos!

DAMED -UFBA