quarta-feira, 17 de outubro de 2012



EBSERH e crise institucional na UFBa


O movimento paredista em 2012 amalgamou seus objetivos concretos -salário,carreira,turnos contínuos,assistência estudantil- á reorganização dos centros organizativos da classe trabalhadora na Universidade Federal da Bahia. A união dos três segmentos (técnico-administrativos,estudantes e docentes) reiniciada durante o período,apesar das dificuldades históricas em efetivar-se agora toma corpo na prática sob o paradigma da unidade na luta.
A luta unificada garantiu minimamente-  o debate sobre  a  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares na Universidade e nas mais diversas congregações das Unidades, assim contrariando a movimentação política da Administração Central. Intrínseca á decisão de atribuir ao Conselho Universitário o poder de adesão á referida empresa é a garantia da construção de debate envolvendo a força motriz da Universidade:a comunidade acadêmica.
A disputa contra a EBSERH não apenas evidencia as divergências quanto á concepção de Estado e solução pragmática aos estruturais problemas dos Hospitais Universitários. Do ponto de vista organizativo, o espectro da resistência, articulado sobretudo pelo movimento estudantil, seduziu á luta setores que tradicionalmente á esquerda se portavam.A antiga Esquerda Universitária, não mais solidamente organizada,recomeça dentro de seus limites, a ver-se como campo fundamental para a retomada de um projeto de poder e construção política que contemple os reais anseios dos que constroem a UFBa.
Além disso, a disputa real nas congregações trouxe á tona a debilidade das tradicionais bases políticas da Administração Central.As posições do Instituto de Ciência da Informação e Escola de Nutrição isso demonstram: a dificuldade de articulação da Reitoria tem lhe custado caro. Com isso, tem-se acirrado de maneira truculenta e atropelada a decisão nas Unidades.Assim é o caso do Instituto de Geociências e Escola de Música,nas quais houve conflitos gravíssimos no seio das congregações. 
O CONSUNI do dia 04,convocado com menos de 24 horas de antecedência e cancelado de súbito,junta-se a tal questão no sentido de dar debilidade e enfraquecer a credibilidade do papel das instancias de decisão: a institucionalidade na Universidade Federal da Bahia evidencia-se frágil.O conselho que deliberará sobre a questão será marcado ao bel-prazer do reitorado ou de fato quando a comunidade acadêmica estiver pronta a fazê-lo?
Nessa semana decisiva sobre o caráter público,gratuito e de qualidade da Universidade, evidencia-se a fragilidade e conseqüente truculência nos mais diversos espaços de deliberação .A resistência á EBSERH,no entanto, é o prelúdio da consolidação de um projeto de esquerda na universidade.

Salvador,17 de outubro de 2012
Diretório Central dos Estudantes
Fórum Acadêmico de Saúde

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