quinta-feira, 25 de outubro de 2012


" Se o presente é de luta, o futuro nos pertence"





EBSERH, os estudantes, servidores e professores da UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA disseram NÃÃÃOOO a você, porém infelizmente iremos recebê-la, acredite, estamos de olho em você!

As mudanças no que diz respeito à saúde pública em nosso país foram precedidas de lutas de diversos setores da sociedade. O próprio SUS, fazendo referência ao processo constituinte de 1988, foi uma verdadeira arena que ap

ontava para vitória do nosso Povo em nome de um projeto de saúde para o Brasil. Nesta época já se sabia que uma das principais mazelas da disfuncionalidade do sistema de saúde era a forma de gestão do trabalho vigente, um dos principais fatores que inviabilizava o funcionamento adequado do sistema, sem falar do subfinanciamento que continua até hoje.

Durante esses poucos anos de vida do SUS, vários problemas identificados no setor de saúde estão sendo enfrentados, tais como a descentralização, que está a caminho, embora a regionalização e a hierarquização do sistema sigam em passos lentos. O controle social do SUS e a participação popular que, embora com baixo grau de autonomia, vem se implantando país a fora.

A atual lógica de organização, estruturação e funcionamento do SUS, inclusive com uma nítida política de desvalorização e desestímulo salarial dos profissionais, promoveu uma efetiva e mortal, em se tratando em trabalho em saúde, mercantilização nas relações de trabalho. Muitas vezes, o sistema privado que deveria ser complementar é visto como o principal.O modelo de descentralização: Estado, tercerização e privatização, adotado pelo projeto neoliberal não é compatível com o modelo de descentralização do SUS: União, Estado e Municipio!

Diversos modelos de gestão da saúde surgem no cenário brasileiro, várias propostas aparecem no campo da privatização da gestão como alternativa para superar as dificuldades encontradas no SUS. É realmente lamentável reconhecer que nessa luta perdemos muitos companheiros, que sucumbiram diante de interesses individuais, e hoje, são os verdadeiros FORMULADORES. Pessoas que no passado tiveram participação importante na luta pela saúde pública, dentro ou fora do movimento da reforma sanitária, que endossaram aquele projeto no caminho da redemocratização do país, infelizmente, hoje se propõem a aceitar de cabeça baixa, como “a única solução”, a privatização da coisa pública.

Diante do reconhecimento da crise de gestão, são apresentadas a defesa de “novos” projetos rotulados como salvação, me refiro as fundações estatais de direito privado. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) vem nesse sentido, cheia de “contra-indicações”, agredindo o interesse publico, a autonomia universitária, os princípios do SUS, o Conselho Nacional de saúde e algumas conferências nacionais de saúde deste País.

Nesse momento, em que buscamos soluções, deve prevalecer o interesse PÚBLICO e o apoio aos profissionais de saúde, afinal, quem cuida da vida, merece respeito. Porém, parece que não há vontade política por parte dos governantes. Talvez os velhos bons militantes estejam cansados e deixaram de sonhar com uma pátria livre e popular, o povo continua sem escolas e alimentação, os índios continuam sendo exterminados para darem lugar a terrenos para se construir shopping center, cada vez nos tornamos mais apáticos às dores do mundo.

Mas o que seria da vida e da história dos homens se não fosse o milagre da renovação? Por isso, suplico, JUVENTUDE que pensa e resiste (e demais homens e mulheres), vamos continuar na luta por um projeto de sociedade, universidade e saúde púbica de qualidade e socialmente referenciada! Lutando por um mundo onde realmente sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres! Afinal, se o presente é de luta, o futuro nos pertence!

EBSERH, os estudantes, servidores e professores da UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA disseram NÃÃÃOOO a você, porém infelizmente iremos recebê-la, acredite, estamos de olho em você!

“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence”. Bertolt Brecht

Por Maianne Fernandes, estudante de medicina da UFBA e Coordenadora Regional NE-1 da DENEM.

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